domingo, 18/10/2026

Estudo colaborativo brasileiro abre novas possibilidades de tratamento para doenças hepáticas graves

Recentes avanços na medicina têm trazido esperança para pacientes com doenças hepáticas avançadas e comprometimento de múltiplos órgãos. O transplante de fígado, que antes era considerado uma opção inviável para muitos devido à gravidade…

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Recentes avanços na medicina têm trazido esperança para pacientes com doenças hepáticas avançadas e comprometimento de múltiplos órgãos. O transplante de fígado, que antes era considerado uma opção inviável para muitos devido à gravidade de suas condições, agora se revela como uma alternativa promissora, oferecendo uma sobrevida significativa para aqueles que enfrentam a iminente perda de seus órgãos vitais.

Maria do Carmo Pereira da Silva, aposentada de 57 anos, é um exemplo claro dessa transformação. Após uma rápida progressão de cirrose causada por gordura no fígado, ela se viu à beira da morte, com complicações nos rins e sentindo-se extremamente debilitada. “Eu fiquei todinha amarela, amarela, com falta de ar”, recorda Maria, que não conseguia sequer andar pequenas distâncias. Sua experiência reflete a realidade de muitos que enfrentam doenças hepáticas agressivas.

Por outro lado, Moisés de Sousa Carrilho, de 53 anos, enfrentou um destino semelhante, com sua hepatite C devastando seu fígado e afetando outros órgãos. A proposta de um transplante surgiu em um momento crítico, onde ele teve que decidir entre a vida e a morte. “Vamos partir para o tudo ou nada?”, questionou seu médico, e Moisés decidiu arriscar. Essa escolha se mostrou vital, pois o estudo que envolveu 63 centros de transplante ao redor do mundo, incluindo três no Brasil, demonstrou que pacientes com comprometimento de dois a três órgãos podem ter uma taxa de sobrevida superior a 80% após o transplante.

Alberto Queiroz Farias, professor titular da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia Clínica do HCFMUSP, explica que muitos pacientes em estado crítico anteriormente eram considerados inelegíveis para o transplante. “Era uma situação desesperadora, mas essa nova pesquisa mudou a perspectiva”, afirma. O estudo, que recebeu o nome de Chance, se tornou um marco na medicina, demonstrando que mesmo em condições graves, a cirurgia pode não apenas salvar vidas, mas também recuperar a funcionalidade de outros órgãos comprometidos.

As estatísticas são animadoras. Segundo Wellington Andraus, professor titular da Divisão de Transplantes de Fígado e Órgãos do Aparelho Digestivo do HCFMUSP, a taxa de sobrevida para esses pacientes saltou de 10-20% para 70-80%, representando uma mudança drástica e encorajadora. No entanto, a luta não termina com a cirurgia. A necessidade de aumentar o número de doadores de órgãos se torna urgente, visto que quase 50 mil pessoas aguardam na fila, sendo mais de 2,3 mil necessitando de um fígado.

Maria do Carmo, após seu transplante há quatro anos, não apenas ajudou a ciência, mas também recuperou a alegria de viver. “Sempre gostei de viajar, de passear. Agora, eu tenho uma gatinha”, compartilha, revelando como a vida pode recomeçar após uma segunda chance. Moisés, que passou pela cirurgia recentemente, expressou sua gratidão ao receber um fígado de um doador desconhecido, reconhecendo a importância desse gesto. “Minha segunda chance está aqui”, afirmou, emocionado.

Esses casos ressaltam não apenas a importância do transplante, mas também a necessidade de conscientização sobre cuidados em UTIs e a identificação precoce de pacientes em risco. O futuro dos transplantes de fígado pode estar se tornando mais brilhante, mas é essencial que a sociedade e os profissionais de saúde se unam para garantir que mais vidas possam ser salvas.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — crystal710 (pixabay)