O Brasil dá um passo importante na luta contra a mpox ao autorizar a aquisição de até 20 mil doses da vacina. A decisão do Ministério da Saúde surge em um momento em que os números da doença apresentam uma queda significativa, com uma redução de 94% nos casos em 2026, em comparação a 2022. Apesar desse cenário alentador, a estratégia nacional de vacinação foca na proteção de grupos vulneráveis, especialmente aqueles que vivem com HIV/aids e que enfrentam maior risco de complicações graves.
Em 2023, foram registrados 665 casos da doença, uma drástica diminuição em relação aos mais de 10 mil casos do ano anterior. Essa queda acentuada não diminui a necessidade de vigilância contínua e de garantir que o Sistema Único de Saúde (SUS) esteja preparado para atender às demandas dos estados. A compra das vacinas foi formalizada em uma reunião realizada nesta quarta-feira (4) e será realizada por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Com uma abordagem preventiva, a aquisição visa manter os estoques de vacinas do SUS, assegurando uma resposta rápida caso haja mudanças no cenário epidemiológico. A vacinação será prioritária para pessoas vivendo com HIV/aids que apresentam uma contagem de linfócitos CD4 abaixo de 100 células/mm³, um grupo que necessita de atenção especial devido ao risco elevado de formas graves da doença.
A implementação do esquema vacinal requer duas doses, com intervalo de 28 dias entre elas. Aqueles que se enquadram nesse perfil devem procurar Centros de Referência para realizar o cadastro e agendar a vacinação. Outros grupos também poderão receber doses remanescentes, incluindo pessoas com contagem de CD4 abaixo de 200 células/mm³, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV e profissionais que manipulam amostras da doença.
É crucial que a população esteja atenta aos sintomas da mpox, que incluem lesões cutâneas, febre e aumento dos linfonodos. A orientação é procurar um serviço de saúde ao apresentar quaisquer sinais compatíveis com a doença, especialmente para aqueles que tiveram contato próximo com indivíduos suspeitos ou confirmados.
Além disso, a vacina pode ser administrada após a exposição ao vírus, sendo mais eficaz nos primeiros quatro dias. Mesmo que a imunização ocorra até 14 dias após a exposição, a efetividade diminui, mas ainda pode prevenir a evolução para formas mais graves da doença.
A mpox, embora considerada de baixo risco para a população em geral, pode resultar em complicações severas e até morte em indivíduos com imunidade comprometida. A transmissão se dá principalmente pelo contato direto com lesões ou secreções de infectados, e embora a doença não seja classificada como uma infecção sexualmente transmissível clássica, ela pode ser transmitida durante relações sexuais ou pelo beijo.
Os primeiros sinais da doença incluem febre, dores no corpo e a formação de bolhas na pele, que evoluem para lesões com pus. O tratamento, na maioria dos casos, consiste no manejo da dor e dos sintomas, com a possibilidade de uso do antiviral tecovirimat em situações mais graves. A vigilância e a vacinação continuam a ser ferramentas essenciais na preservação da saúde pública diante da mpox.



