Selena Gomez, uma das vozes mais reconhecidas da música pop, abriu o jogo sobre suas experiências com o vício em cigarro eletrônico, revelando que o uso excessivo de nicotina alterou sua voz. Em um vídeo compartilhado em suas redes sociais, a cantora admitiu: “Não vou conseguir mudar a minha voz. Eu usei muito cigarro eletrônico com nicotina.”
A artista destacou a dificuldade que enfrentou ao tentar abandonar o vape, um dispositivo que promete ser menos prejudicial do que os cigarros tradicionais, mas que pode ter efeitos devastadores, especialmente em jovens. A nicotina, um dos principais componentes dos vapes, é altamente viciante e, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), não existe uma quantidade segura para seu consumo. A forma como a nicotina é apresentada nos vapes, com concentrações que podem ser até 20 vezes mais elevadas do que nos cigarros comuns, contribui para a rápida instalação do vício.
Gomez fez um apelo sincero aos que consideram experimentar o vape, afirmando que “não vale a pena” e sublinhando como sua própria experiência resultou em mudanças significativas em sua voz. As cordas vocais, que são sensíveis e facilmente inflamáveis, podem ser prejudicadas pelo aerossol do vape, que contém não apenas nicotina, mas também uma série de substâncias químicas prejudiciais.
Estudos apontam um aumento de casos de inflamação na laringe entre usuários de vape, com relatos de perda temporária da voz. No Brasil, figuras públicas como a cantora Solange Almeida e a influenciadora Vanessa Lopes já relataram efeitos adversos graves em suas cordas vocais devido ao uso desses dispositivos.
Embora os vapes tenham sido introduzidos no mercado com a promessa de serem uma alternativa menos nociva, especialistas ressaltam que eles reúnem mais de 2 mil substâncias, muitas das quais são tóxicas e cancerígenas. Um estudo realizado pelo Instituto do Coração em parceria com a Vigilância Sanitária e a USP revelou que os níveis de nicotina em usuários de vape podem ser seis vezes mais altos do que em fumantes de cigarros tradicionais, intensificando o risco de dependência.
No Brasil, a venda de cigarros eletrônicos é proibida desde 2009, mas ainda assim, esses dispositivos circulam ilegalmente pelo mercado. A Anvisa adverte que a produção desses produtos é obscura e que os usuários não têm como saber a composição exata dos líquidos que estão consumindo. A experiência de Selena Gomez serve como um alerta sobre os perigos do uso de vapes, especialmente entre os mais jovens, que se tornam vulneráveis a esse tipo de dependência de forma alarmantemente rápida.


