quinta-feira, 22/10/2026

Vacinação contra sarampo no Brasil não atinge metas, enquanto surtos em países vizinhos acendem alerta

O Brasil enfrenta um desafio na luta contra o sarampo, com a vacinação em níveis preocupantes. Desde a recuperação do status de país livre da circulação endêmica da doença em novembro de 2024, nenhum…

Compartilhe:

O Brasil enfrenta um desafio na luta contra o sarampo, com a vacinação em níveis preocupantes. Desde a recuperação do status de país livre da circulação endêmica da doença em novembro de 2024, nenhum estado brasileiro conseguiu atingir a meta de vacinar 95% das crianças menores de dois anos. Apesar de ser considerado um avanço em relação a anos anteriores, a cobertura vacinal não ultrapassa os 80%, o que levanta sérias preocupações sobre possíveis surtos futuros, especialmente com a crescente incidência da doença em países vizinhos, como Peru e Bolívia.

O Ministério da Saúde, ciente do risco, intensifica os esforços de vacinação, especialmente nas regiões fronteiriças, onde a proximidade com áreas afetadas pode facilitar a introdução do vírus. O diretor do Departamento Nacional de Imunizações, Eder Gatti, destaca que, embora a cobertura vacinal tenha melhorado, a realidade é que nenhuma unidade federativa conseguiu atingir o percentual necessário para garantir a proteção da população. O Ceará, por exemplo, lidera com 86,69% de cobertura, mas ainda assim, isso está aquém do ideal.

Os especialistas alertam que o Brasil, mesmo sem casos autóctones desde junho de 2022, não está livre da ameaça do sarampo. Casos importados têm sido registrados, com 39 ocorrências em 2025, e já são mais de 50 em 2026. A maioria desses casos foi detectada em São Paulo, um sinal preocupante de que a doença ainda pode se espalhar se a vacinação não for intensificada. Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, enfatiza que a proteção da população é crucial para evitar surtos, e que a vacinação homogênea é essencial para prevenir a transmissão sustentada do vírus.

O panorama é ainda mais alarmante se comparado à situação nos Estados Unidos, que enfrenta uma das piores ondas de sarampo das últimas décadas, com mais de 3.600 casos em 2026. O cenário norte-americano é um reflexo da queda acentuada na cobertura vacinal, exacerbada pela desinformação e pelo crescimento de movimentos antivacinação. Com um aumento significativo nas infecções, o estado de Nova York já declarou emergência devido ao avanço da doença. Essa crise ressalta a importância de manter altos índices de vacinação e atender as necessidades de grupos vulneráveis.

A resistência à vacinação e a percepção reduzida da gravidade do sarampo são obstáculos significativos. A desinformação sobre a segurança das vacinas, impulsionada por figuras públicas, contribui para a hesitação vacinal. Além disso, a falta de experiência direta com a doença entre as gerações mais jovens pode levar a uma subestimação dos riscos associados ao sarampo, que, embora frequentemente visto como uma doença benigna, pode resultar em complicações severas, incluindo pneumonia e encefalite, e até mesmo a morte.

Frente a esse cenário, é essencial que as autoridades de saúde não apenas intensifiquem as campanhas de vacinação, mas também promovam a conscientização sobre os perigos do sarampo e a importância da imunização. O fortalecimento da cobertura vacinal, especialmente em áreas de risco, é uma medida indispensável para garantir a saúde pública e prevenir o retorno de doenças que já foram controladas.