quinta-feira, 22/10/2026

A luta contra o estigma: uma visão sobre doenças que ainda são tabu na sociedade.

Monica Thomas, fundadora da organização beneficente Women’s Health Hope, tem uma história que ilustra os desafios enfrentados por muitas mulheres quando se trata da saúde ginecológica. Desde a adolescência, ela lidou com sintomas persistentes…

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Monica Thomas, fundadora da organização beneficente Women’s Health Hope, tem uma história que ilustra os desafios enfrentados por muitas mulheres quando se trata da saúde ginecológica. Desde a adolescência, ela lidou com sintomas persistentes de dor e coceira na região íntima, que foram repetidamente desconsiderados por médicos como simples candidíase. Somente após 28 consultas em um período de seis meses, ela finalmente obteve um diagnóstico: líquen escleroso.

A condição, que provoca inflamação crônica nos genitais, é marcada por manchas brancas, dor intensa e fissuras na pele. Embora possa afetar tanto homens quanto mulheres, é mais comum em mulheres na faixa etária acima dos 50 anos. O reconhecimento tardio da doença, como apontam especialistas, é alarmante: uma pesquisa da Universidade de Bristol sugere que sua prevalência é subestimada, com muitas mulheres vivendo anos sem um diagnóstico adequado.

Monica, aos 34 anos, refletiu sobre o impacto negativo que os diagnósticos errados tiveram em sua saúde mental. “Foi um período solitário e horrível. Eu não sabia como continuar sem ter respostas”, desabafou. O estigma em torno da saúde íntima, segundo ela, contribui para o silêncio e a falta de informação sobre o assunto. A médica Nighat Arif, que estuda a condição, corroborou essa visão, afirmando que o constrangimento e a falta de conhecimento ainda são barreiras significativas para a busca de ajuda.

Os relatos de outras mulheres, como Clare Baumhaeur, reforçam a necessidade urgente de maior conscientização. Clare começou a sentir os primeiros sintomas aos cinco anos e, após décadas de diagnósticos incorretos, recebeu a notícia chocante de que tinha líquen escleroso e câncer de vulva. Ela revelou que, se tivesse sido diagnosticada antes, poderia ter evitado complicações graves. “Nunca tinha ouvido falar de líquen escleroso”, comentou, refletindo sobre a desinformação que permeia a saúde feminina.

Com o objetivo de mudar essa realidade, Monica e outras defensoras da saúde feminina enfatizam a importância de as mulheres se conhecerem melhor e buscarem múltiplas opiniões médicas. Um diário de sintomas pode ser uma ferramenta útil nesse processo, ajudando a documentar mudanças no corpo e a facilitar diálogos com profissionais de saúde. “Você não precisa viver sem respostas”, conclui Monica, destacando a necessidade de quebrar tabus e promover um ambiente de maior compreensão e apoio em relação à saúde ginecológica.