Hoje, o blog “Longevidade: modo de usar” celebra uma década de reflexões e diálogos sobre o envelhecimento. Desde o seu lançamento, em 3 de novembro de 2016, a coluna já abordou questões fundamentais sobre a percepção da velhice na sociedade. A primeira publicação, que questionava por que a idade é frequentemente vista com desdém, ainda ressoa com força em tempos em que a discussão sobre a longevidade se torna cada vez mais relevante.
Com quatro livros publicados e uma trajetória de militância apaixonada pela causa da longevidade, é evidente que a autora não apenas observa, mas também vive a realidade de ser uma mulher idosa que se recusa a aceitar papéis secundários. A geração que desafiou normas na juventude continua a quebrar estigmas, agora com uma nova perspectiva sobre a velhice.
Recentemente, durante o GeriatRio 2026, a psicóloga Cristiane Novaes trouxe à tona preocupações prementes, como o impacto das mudanças climáticas sobre a população idosa, além de oferecer insights sobre resiliência. Segundo ela, enfrentar os desafios do envelhecimento não deve ser visto como um mero otimismo, mas como uma estratégia psicobiológica que ajuda a mitigar os efeitos do estresse crônico.
Entre os desafios destacados por Novaes estão o declínio físico, o isolamento e a sensação de inutilidade, que frequentemente marcam a velhice. No entanto, ela também apresentou caminhos de adaptação, que incluem a aceitação proativa, a busca por aprendizado contínuo e a reinvenção de significados à medida que as circunstâncias mudam. Para Novaes, o envelhecimento é uma “negociação constante” entre perdas e a busca por adaptação.
As ferramentas de resiliência que ela sugere são cruciais: domínio da tecnologia como forma de conectar-se com o mundo, uma atitude positiva que reinterpreta limitações e a espiritualidade, que oferece um senso de propósito em meio à incerteza da vida. Essa perspectiva é fundamental para que os mais velhos possam desafiar a narrativa negativa que muitas vezes os cerca.
Volto a reafirmar o que já escrevi há dez anos: a velhice deve ser reinventada por aqueles que chegam a essa fase da vida. É um chamado para que a geração atual enfrente a visão negativa que ainda permeia a sociedade. Agradeço sinceramente a todos que têm me acompanhado ao longo dessa jornada, pois é por meio dessa troca que conseguimos avançar na discussão sobre o envelhecimento e suas nuances. Juntos, seguimos lutando por uma velhice digna e ativa, cheia de significado e protagonismo.


