Uma nova esperança surge para mulheres que enfrentam o câncer de vulva, com o desenvolvimento de uma técnica inovadora que visa preservar a função sexual do clitóris. Criada por cirurgiões do Radboudumc, na Holanda, essa abordagem pioneira promete devolver a capacidade de orgasmo a 90% das pacientes operadas, um feito significativo considerando a trajetória histórica da medicina nessa área.
Tradicionalmente, a remoção de tumores que afetam o clitóris resultava na perda parcial ou total desse órgão, com pouco foco na qualidade de vida das mulheres afetadas. A oncologista ginecológica Mieke ten Eikelder, uma das responsáveis pela nova técnica, explica que a abordagem anterior resultava em um clitóris encoberto por uma camada de pele, o que tornava a recuperação do prazer sexual quase impossível.
A nova técnica não recria o clitóris do zero, mas reposiciona nervos preservados durante a cirurgia, formando uma nova ponta que mantém a sensibilidade. Embora a sensibilidade possa variar inicialmente, a expectativa é que, em até um ano, a maioria das mulheres recupere um nível de sensibilidade semelhante ao pré-operatório.
O câncer de vulva, que atinge os órgãos genitais externos femininos, afeta cerca de 450 mulheres anualmente na Holanda, com um quarto dos casos envolvendo tumores na região do clitóris. A nova técnica, embora ainda em fase de pesquisa, traz esperança não apenas para as pacientes com câncer, mas também para aquelas que sofreram mutilação genital, uma prática que afeta o clitóris e a vida sexual das mulheres.
Além do Radboudumc, outros hospitais na Holanda estão se juntando a esse esforço, com treinamento de profissionais para aplicar a técnica. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores enfatizam a necessidade de um acompanhamento contínuo das pacientes para avaliar a eficácia do método e garantir sua integração segura na prática clínica.
O objetivo final é expandir essa técnica para outros países, oferecendo a mais mulheres a oportunidade de preservar não apenas um órgão, mas também a qualidade de suas vidas sexuais após um diagnóstico devastador.



