quarta-feira, 21/10/2026

Experiência de dependência: pessoa relata uso de cetamina desde a adolescência e suas consequências na vida adulta

A trajetória de Megan Harmes, uma jovem de 24 anos, ilustra os perigos do uso indiscriminado da cetamina, uma substância que, apesar de ser utilizada na medicina, se tornou uma droga de abuso entre…

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A trajetória de Megan Harmes, uma jovem de 24 anos, ilustra os perigos do uso indiscriminado da cetamina, uma substância que, apesar de ser utilizada na medicina, se tornou uma droga de abuso entre os jovens. Após uma experiência inicial aos 14 anos, ela agora enfrenta as consequências de anos de dependência, incluindo danos à bexiga que a levaram a usar absorventes para incontinência urinária.

A situação de Megan não é um caso isolado. De acordo com dados da Kaleidoscope, uma organização que trabalha com dependentes químicos, o número de jovens buscando tratamento para dependência de cetamina disparou nos últimos anos. Em 2021, apenas duas pessoas foram atendidas pela clínica, enquanto em 2023 esse número saltou para 112, a maioria entre 18 e 24 anos. Essa realidade alarmante reflete um padrão crescente de consumo entre os jovens, especialmente durante a pandemia, quando o acesso à droga se tornou mais fácil e barato.

A cetamina, reclassificada como uma droga ilegal no Reino Unido em 2014, é um anestésico dissociativo que pode causar sérios danos à saúde, como problemas de memória, dores crônicas e lesões na bexiga. A falta de informação e o estigma em torno do uso de drogas dificultam o acesso a tratamentos adequados. Jo Moore, responsável pela clínica de reabilitação Birchwood, observa que a maioria dos serviços de tratamento ainda não está preparada para lidar com as complexidades da dependência de cetamina, especialmente entre os mais jovens.

Além de Megan, outros relatos como o de Mark, um ex-dependente que pediu para não ter sua identidade revelada, demonstram a gravidade do problema. Ele narra como a dependência afetou sua vida familiar e sua saúde, levando-o a um estado em que se sentia mais velho do que realmente era. A vergonha e o medo do julgamento muitas vezes impedem que os jovens busquem ajuda, perpetuando o ciclo de dependência e deterioração da saúde.

Pesquisadores como Darren Quelch, da Universidade do Sul do País de Gales, alertam que a dependência de cetamina requer um tratamento diferenciado, pois os sintomas e os danos à saúde se manifestam de forma acelerada em comparação com outras substâncias. Com o aumento do consumo, é essencial que os serviços de saúde se adaptem para oferecer suporte adequado a essa população vulnerável.

Embora haja uma crescente conscientização sobre o problema, ainda não se sabe a extensão total dos danos causados pelo uso de cetamina a longo prazo. A esperança reside em iniciativas como a da Kaleidoscope, que conecta pacientes a pessoas que já enfrentaram dependência, proporcionando um ambiente de apoio e compreensão. Para muitos, como Mark, essa rede de apoio é vital para a recuperação e reintegração social.

O desafio agora é garantir que as políticas de saúde pública e os serviços de reabilitação evoluam para atender às necessidades emergentes dessa nova geração de dependentes, para que histórias como a de Megan e Mark se tornem cada vez mais raras.