A Prefeitura de São Paulo acaba de implementar o Protocolo Municipal de Assistência à Saúde em Corridas de Rua, uma medida que visa reformular a abordagem de atendimento médico durante eventos esportivos na capital. A criação deste documento surge em resposta à tragédia que abalou os corredores da cidade: a morte do publicitário Júlio Barreto, de 50 anos, que sofreu uma parada cardíaca após completar a SP City Marathon em julho.
O novo protocolo, publicado no Diário Oficial na terça-feira (13), define normas claras para o atendimento a participantes e entrará em vigor em 12 de dezembro. A iniciativa busca garantir que não haja falhas na assistência, estabelecendo critérios rigorosos para a presença de profissionais de saúde, ambulâncias e equipamentos essenciais ao longo dos percursos.
Um dos aspectos mais relevantes do protocolo é a introdução de uma classificação de risco para os eventos, que considera fatores como o número de corredores, condições climáticas e histórico de ocorrências em edições anteriores. Essa avaliação permitirá que a estrutura de atendimento se adapte às especificidades de cada prova, com diferentes níveis de risco que vão de baixo a especial, proporcionando um atendimento mais eficaz e seguro.
Além disso, o protocolo estipula que o primeiro atendimento deve ocorrer em intervalos máximos que variam de acordo com a classificação do evento. Para provas de risco especial, por exemplo, o atendimento deve ser realizado em no máximo três minutos. Essa exigência visa minimizar o tempo de resposta em situações críticas, algo que foi amplamente discutido após o incidente trágico envolvendo Barreto.
A estrutura de atendimento médico também foi ampliada e distribuída ao longo do trajeto, garantindo que não haja trechos desprovidos de assistência. A presença de desfibriladores e postos médicos é mandatória, e a quantidade de profissionais de saúde será ajustada conforme o número de participantes e a complexidade do evento.
O protocolo ainda se preocupa com as condições climáticas, especialmente em eventos de longa distância, onde o calor pode ser um fator de risco significativo. O documento estabelece diretrizes para monitoramento das condições meteorológicas e ações a serem tomadas em caso de temperaturas extremas.
A Secretaria Municipal da Saúde assumirá a responsabilidade pela supervisão do protocolo, realizando auditorias e verificações em diferentes momentos da organização dos eventos. A criação da categoria de “eventos sentinela” também é uma inovação importante, permitindo que ocorrências graves sejam analisadas de forma detalhada, com o objetivo de evitar novas tragédias.
Com essa nova abordagem, a Prefeitura busca não apenas melhorar a segurança dos corredores, mas também restaurar a confiança nas corridas de rua, que são um reflexo da cultura de atividade física e bem-estar na cidade. A implementação do protocolo é um passo significativo em direção a um ambiente mais seguro para todos os participantes.
Crédito da imagem: Imagem feita durante a corrida de São Silvestre


