sexta-feira, 16/10/2026

Transtorno Obsessivo-Compulsivo atinge até 3% da população global; entenda como a terapia pode auxiliar no enfrentamento da condição

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é uma condição que transforma a vida cotidiana em uma luta constante contra medos irracionais e rituais compulsivos. Alex, uma mulher de 36 anos, é um exemplo claro dos desafios…

Compartilhe:

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é uma condição que transforma a vida cotidiana em uma luta constante contra medos irracionais e rituais compulsivos. Alex, uma mulher de 36 anos, é um exemplo claro dos desafios enfrentados por muitos que vivem sob este transtorno. Desde a adolescência, ela se tornou prisioneira de comportamentos que pareciam inofensivos no início, como contar objetos e manter um número específico de contatos no celular. Com o tempo, esses comportamentos evoluíram para um medo paralisante de tocar em maçanetas, tornando tarefas simples como fazer compras um verdadeiro desafio.

Segundo a Sociedade Alemã de Transtornos Obsessivos-Compulsivos, mais de 2 milhões de pessoas no país sofrem com essa condição, que afeta de 2% a 3% da população mundial. O psicólogo Paul Salkovskis explica que o TOC é frequentemente desencadeado por pensamentos intrusivos que, ao contrário da maioria das pessoas, não desaparecem facilmente. Para aqueles que convivem com o transtorno, esses pensamentos se transformam em ameaças reais, levando a comportamentos compulsivos como forma de enfrentar a ansiedade.

A psicoterapeuta Katharina Bey observa que muitos pacientes lidam com pensamentos obsessivos de natureza agressiva ou sexual que são completamente incompatíveis com sua verdadeira personalidade. Isso contribui para a intensificação do sofrimento, uma vez que esses pensamentos são vividos como ameaçadores e inaceitáveis. Recentemente, a pesquisa na área revelou 36 variantes genéticas que podem aumentar o risco de desenvolver o TOC, o que pode ajudar a reduzir a sensação de culpa associada à condição. No entanto, a genética é apenas uma parte da equação, com fatores ambientais também desempenhando um papel significativo.

Jessica Teitz, outra pessoa que lida com o TOC, destaca que a compreensão das causas do transtorno não é suficiente para o tratamento. Para ela, o que realmente fez a diferença foi o uso de antidepressivos e a Terapia de Exposição e Prevenção de Resposta (EPR), que a ajudou a enfrentar suas ansiedades sem recorrer aos comportamentos compulsivos habituais. Essa abordagem permite que os pacientes aprendam a tolerar a ansiedade, mostrando que é possível viver com esses sentimentos sem que eles precisem ditar suas ações.

Graças a esse tratamento, tanto Alex quanto Jessica conseguiram recuperar parte do controle sobre suas vidas. Embora as obsessões e compulsões possam não ter desaparecido completamente, elas aprenderam a aceitá-las sem reagir automaticamente. Alex compartilha que, apesar das dificuldades, a experiência a fez valorizar as pequenas alegrias da vida. Jessica, por sua vez, encontrou um novo propósito como instrutora de ioga, ajudando outros a lidarem com seus próprios desafios mentais.

Ambas incentivam aqueles que enfrentam sintomas semelhantes a buscarem ajuda o mais rápido possível. “O tempo que se passa convivendo com isso só torna o tratamento mais difícil,” alerta Jessica. A mensagem é clara: existe esperança e suporte disponível para aqueles que buscam um caminho para a recuperação.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Macb3t (pixabay)